Informações retiradas de debate realizado no Curso de capacitação para lideranças religiosas realizado pelo SENAD em 2009
1 - No meu ponto de vista, o álcool é uma das principais causas de conflitos familiares, pois o dependente foge da sua personalidade, o que faz com que todos os membros da família sofram. E vocês concordam com isso? C. S. C. – RO
Cara C. realmente muitas pesquisas indicam que o uso abusivo do álcool favorece o aparecimento de sérios conflitos familiares, tornando a família co-dependente ao uso. Hoje, a terapia familiar tem se mostrado bastante efetiva, pois trata não somente o dependente, mas também seus familiares. Por outro lado, os conflitos familiares também podem ser considerados um fator de risco para uma pessoa se tornar dependente, como forma de lidar com a situação, porém, conforme você deve ter visto no material, os conflitos familiares é apenas um dos fatores, existem outros que contribuem para que uma pessoa se torne dependente. Espero ter respondido sua pergunta.
2 - Como ajudar um jovem que esta iniciando nas drogas sem contar para a família ? Qual a melhor solução. E.R.G.A. – SP.
Prezada E.,
A melhor forma de ajudar esse jovem é mostrar para ele a importância de incluir a família no tratamento. Não podemos fazer pactos com qualquer uma das partes e além disso, no caso do jovem é de extrema importância que a família saiba do problema e possa participar ativamente como um fator de proteção.
3 - Por que você acha que alguns usuários deixam de usar drogas mais facilmente do que outros? C.F.P.F.B - SP.
Prezada C., existem vários fatores que contribuem para isso. Dentre eles podemos citar: tipo da droga, quantidade utilizada e tempo de uso. Além disso, o suporte social e familiar é muito importante nesse processo. Finalmente podemos incluir o grau de motivação da pessoa para deixar o uso.
4-Sabendo que a dependência química é biopsicosocial, qual a melhor forma de reforçarmos os fatores de proteção para lidar melhor com a problemática? J.L.B.S. Campina Grande.
Caro J. a forma mais adequada para trabalhar os fatores de proteção é reforçá-los nas três áreas, ou seja, pessoal, familiar e social. Alguns exemplos práticos: melhorar a auto-estima do usuário, suas crenças em regras sociais, trabalhar o relacionamento com a família, incentivá-lo a ter amigos não usuários de drogas, orientá-lo a buscar diversão em atividades que não envolvam drogas e a procurar um trabalho, caso não esteja trabalhando.
5- Alguns vícios passam de geração em geração? A.P.C.M. RJ.
Cara A., não podemos afirmar que a dependência química passe de geração para geração, podemos afirmar que existe uma predisposição hereditária na dependência química, o chamado fator genético. Exemplificando: uma pessoa filha de alcoolista apresenta uma probabilidade maior de vir a apresentar o alcoolismo do que a população em geral, mas isto não significa dizer que esta pessoa vai ser alcoolista, não é uma relação direta, esta pessoa apresenta o fator genético para alcoolismo, mas existem fatores sociais e psicológicos que podem auxiliá-la a não desenvolver o alcoolismo.
Prezada S., é muito difícil conviver com uma pessoa dependente de drogas. Realmente a família toda pode ficar abalada. Dessa forma, temos que pensar em como cuidar de seu pai e do resto da família também. Em primeiro lugar, para tratar um dependente químico, ele deve estar de acordo. Para tanto, é importante que haja um trabalho de conscientização (que talvez deva ser feito por alguém que ele confie, mas que não seja da família). Uma vez que o dependente concorde que necessita de ajuda, ele pode ser encaminhado para um serviço de saúde, para um grupo de ajuda mútua ou alguma modalidade terapêutica cuja abordagem seja mais adequada.Já a família pode buscar ajuda, independentemente da ação (ou falta de ação) do dependente. Isto porque, é preciso encontrar estratégias para fortalecer-se emocionalmente e lidar com essa questão. Lembre-se que a família é um sistema e, como tal, a mudança de comportamento de um membro interfere nos demais!É possível procurar terapias, orientações, grupos de apoio para familiares de dependentes. Certamente vocês conseguirão encontrar o apoio que necessitam para aprender a encarar esse problema de uma maneira mais amadurecida, que implique em um menor sofrimento a todos.
7 - Uma jovem de classe média pediu a sua mãe que pusesse algemas em seus braços para que não usasse mais drogas, qual a melhor maneira de ajudar esta jovem e esta família ? O que podemos fazer ? Conheço a família e quero ajudá-la. J.G.S.- RJ.
Prezado J., neste caso parece haver o mais importante: o desejo da jovem de parar de usar drogas. É o primeiro passo!
Antes de tomar qualquer decisão, é fundamental conversar com ela e saber o que ela espera de um tratamento, tentar pensar junto com ela qual a melhor alternativa. É possível encaminhá-la a um serviço de saúde, para que possa ser feito um acompanhamento ambulatorial e encaminhamento ao CAPSad. Além disso, a participação em grupos de ajuda mútua pode ser muito importante, para que ela perceba que não está sozinha e que é possível não usar drogas.
A família também vai precisar de apoio e atenção. É possível encaminhá-los a algum tipo de terapia, ou a grupos de ajuda mútua para familiares de dependentes.
8 - Qual o melhor procedimento com um jovem que está em tratamento com o uso de drogas? O mesmo está sentindo abstinência e com início de uma crise depressiva. A. M.S.- AL
A., nesse caso, talvez seja necessário encaminhá-lo a um serviço de saúde. Tanto a síndrome de abstinência, quanto os sintomas depressivos podem ser atenuados com medicação e terapia. É importante ainda conversar e oferecer suporte a esse jovem, tendo em vista que a dependência química afeta a vida das pessoas como um todo. Dessa forma, rever o projeto de vida desse jovem pode ajudá-lo a se reorganizar internamente e sentir-se mais confiante.